Pesquisa mostra que médicos não se sentem capazes de atender pacientes com Covid-19

Um levantamento feito pela Associação Paulista de Medicina (APM) com 2.312 médicos de todo o país mostrou que a maioria dos participantes da pesquisa, realizada on-line, não se sente preparada para atender casos de Covid-19 (sigla do inglês, Coronavirus Disease 2019). Somente 15,5% dos profissionais foram capacitados e se sentem em condições de atender pacientes em qualquer fase da doença, do diagnóstico dos sintomas ao tratamento dos casos graves em terapia intensiva.

Os participantes (53% de São Paulo e 47% de outros estados) responderam espontaneamente entre 09 e 17 de abril um questionário on-line na plataforma Survey Monkey. Cerca de 23,5% dos respondentes se sentem em condições de atender apenas casos leves e fazer acompanhamento domiciliar; 12,5% afirmaram que têm conhecimento suficiente para atuar na triagem; 19% disseram que não receberam ou buscaram obter capacitação para tratar pacientes internados, mas apenas 11% referiram que gostariam de obter treinamento para atender casos suspeitos ou confirmados.

A oferta de capacitação vem aumentando, com cursos on-line e presenciais sendo ministrados por instituições públicas e privadas. Com cerca de 36 a 48 horas, dão ao profissional treinamento para ajudar na terapia intensiva, disse ao Medscape o Dr. José Luiz Gomes do Amaral, anestesiologista, intensivista e presidente da APM.

Como muitas circunstâncias podem ter se modificado desde o levantamento inicial, será feita uma nova pesquisa on-line, informou a entidade.

"Hoje temos pelo menos quatro vezes mais mortes do que quando a pesquisa foi feita. A pandemia vem progredindo muito rapidamente e precisamos entender se o enfrentamento também está crescendo de maneira proporcional", disse o Dr. José Luiz.

Considerando o agravamento da crise, no início da segunda quinzena de abril 50% dos profissionais que responderam ao questionário referiram escassez de máscaras N95, PFF92 ou equivalentes; 26% relataram falta de óculos de proteção; e 31% denunciaram falta de aventais. Muitos médicos também indicaram escassez de álcool gel, entre outros itens.

Outro alerta da pesquisa foi que cerca de 21,5% dos participantes informaram ausência de diretrizes, orientações ou programas de atendimento em seus locais de trabalho.

A falta de exames é uma grande preocupação e tem muitas consequências. No que se refere aos profissionais de saúde que participaram da pesquisa, apenas 7,5% dos médicos foram submetidos ao teste por reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR, sigla do inglês, Reverse Transcription Time Polymerase Chain Reaction). Cerca de 2,0% fizeram outros testes, como a sorologia. A maioria (90,5%) ainda não foi testada. Além disso, de acordo com os participantes da pesquisa, apenas 14% dos locais de atendimento no qual atuam tinham testes em quantidade suficiente para todos os pacientes com sintomas de Covid-19.

Um por cento dos respondentes que foram comprovadamente infectados continuaram trabalhando normalmente, enquanto a maioria (95,5%) foi orientada a ir para casa e ficar pelo menos 14 dias em isolamento. Também chama atenção o fato de 30% dos participantes que informaram ter familiares com Covid-19 comprovada vivendo na mesma casa terem continuado trabalhando normalmente, a menos que manifestassem sintomas. Mais de um terço dos médicos tinham condições que os inserem em grupos de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, doença renal e/ou cardiovascular. Dos entrevistados, 74,5% disseram que consideram provável que faltem médicos ao longo da evolução da pandemia.

Do ponto de vista mais geral, o presidente da APM disse que, sem testar a população, não será possível saber a taxa de imunidade, nem adotar medidas de flexibilização do isolamento com segurança.

"Como um profissional da saúde ou alguém do grupo de risco pode sair do isolamento sem testar? Qual nível de segurança isso traz? E, sem testar, como vamos saber se a população está aumentando o nível de anticorpos?"

Quarenta e dois por cento dos entrevistados acham que todos devem permanecer em isolamento em qualquer cidade. Já 35% acreditam que o isolamento ampliado deve ser feito apenas em localidades onde houver risco de sobrecarga do sistema, enquanto 22,8% acham que somente idosos e pessoas de maior devem permanecer em isolamento.

A pesquisa mostrou ainda que apenas 51% dos médicos fazem uso da telemedicina neste momento de pandemia. É um índice baixo e uma consequência da demora em implementar e regulamentar a atividade no Brasil.

Quando ao clima de trabalho, o sentimento que prevalece é a apreensão (76,6%). Mas 2,9% disseram estar pessimistas, 3,2% deprimidos, 3,3% insatisfeitos e 0,6% revoltados, enquanto 13,4% afirmaram que estão tranquilos ou otimistas.

"Não é possível ir a um pronto-socorro sabendo da gravidade dos pacientes, dos riscos e do contexto da pandemia, sem ficar apreensivo. É uma reação apropriada. As pessoas que estão otimistas ou tranquilas não sabem o que está acontecendo."

Fonte:  portugues.medscape.com/verartigo/6504781#vp_1

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