Transtorno bipolar: polaridade predominante poderia distinguir grupos de pacientes e gerar ferramenta de tratamento personalizado

No transtorno afetivo bipolar, a polaridade predominante (PP) poderia distinguir grupos de pacientes e prover uma ferramenta para tratamento personalizado. Essa é a ideia por trás de uma pesquisa conduzida no Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP) e recentemente publicada no Journal of Affective Diseases.

Nela, a polaridade predominante maníaca (PPM) foi associada a variáveis de piora, número significativamente maior de hospitalizações, episódios com sintomas psicóticos, e tentativas de suicídio. Como a maioria dos pacientes permaneceu na mesma polaridade predominante durante os sete anos avaliados, os autores consideram que, se os dados preliminares forem confirmados em novos estudos, a PP de base poderá ser utilizada como preditor de curso da doença.

Teste longitudinal

O artigo assinado por Gabriel Belizário, Michelle Silva, e Beny Lafer, do Programa de Transtorno Bipolar (Proman) do IPq, apresenta um estudo longitudinal realizado em cima de prontuários dos pacientes com diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1 ou 2 de acordo com os critérios do DSM-IV[2]. Para definir os subgrupos, os autores escolheram a classificação da proposta de Barcelona[3] que requer ao menos 2/3 dos episódios da vida, na mesma polaridade, para serem considerados polaridade predominante maníaca (PPM) ou polaridade predominante depressiva (PPD). Os que apresentavam uma proporção menor de episódios eram designados ao grupo polaridade predominante indefinida (PPI).

"Estudando esse conceito relativamente novo, esse especificador do transtorno bipolar, que é a polaridade predominante caracterizada pela frequência na polaridade dos episódios no passado, estamos   tentando especificar o curso da doença para, no futuro, individualizar o tratamento. Nos últimos sete anos, os pacientes com predominância de mania tiveram uma média de 0,2 de episódios de tentativa de suicídio, sendo que os outros não tiveram nenhum. Os pacientes com predominância de mania tiveram mais sintomas psicóticos 1,72 (2,07) que os de PPD 0,35 (1,03), e os PPI 0,30 (0,57). Quando avaliadas as hospitalizações, os resultados foram: PPM 1,72 (1,76), PPD 0,09 (0,37), e PPI 0,30 (0,73). Ou seja, a PPM foi associada um prognóstico pior da doença", disse ao Medscape um dos autores, Gabriel Belizário, psicólogo da University of California.

No artigo, os autores reconhecem que a mostra é pequena. Segundo eles, no entanto, trata-se do maior estudo de coorte longitudinal da literatura até hoje.

"Nosso objetivo é aumentar o número de pacientes. Apesar do n ser pequeno – foram avaliados os dados de 87 adultos (27% homens, 73% mulheres) – os resultados são significativos."

Alguns pesquisadores já utilizam a polaridade predominante para prever tratamento. No entanto, ela não está incluída no DSM-V.

"Estamos trabalhando para que seja incluída, pois estamos vendo resultados", disse Belizário.

"No passado mês de março, quando apresentamos os resultados no congresso da International Society for Bipolar Disorders, no México, muitos psiquiatras falavam que viam isso na clínica, no dia a dia deles. Mas, sem dúvida, é preciso fazer mais pesquisas, até em outros países, para ver se há viés cultural."

Fonte: medscape

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