Dr. Fauci: Rendesivir agora é o tratamento oficial da Covid-19

Vários ensaios clínicos divulgam dados, alguns ainda parciais

Pacientes hospitalizados com Covid-19 (sigla do inglês, Coronavirus Disease 2019) grave e comprometimento pulmonar que receberam o antiviral rendesivir tiveram uma recuperação mais rápida do que pacientes semelhantes que só receberam placebo, de acordo com uma análise dos dados preliminares de um estudo norte-americano controlado e randomizado.

Com base em dados ainda não publicados, “o rendesivir será o tratamento oficial” dos pacientes com Covid-19, disse o Dr. Anthony Fauci, médico e diretor do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca no dia 29 de abril.

O estudo internacional randomizado, controlado com placebo, foi patrocinado pelo NIAID, que faz parte dos National Institutes of Health (NIH), e contou com 1.063 pacientes. O trabalho começou em 21 de fevereiro.

Os resultados interinos, discutidos na coletiva de imprensa e em um comunicado à imprensa do NIAID, mostraram que o tempo de recuperação (estar suficientemente bem para ter alta hospitalar ou retornar ao nível de atividade normal) foi 31% mais rápido para os pacientes que receberam o rendesivir do que para os que receberam placebo (P < 0,001).

A mediana do tempo de recuperação foi de 11 dias para os pacientes tratados com rendesivir, em comparação com 15 dias para os que receberam placebo. Os resultados também sugerem benefício em termos de sobrevida, com 8,0% de mortes no grupo do rendesivir e 11,6% de mortes entre os pacientes que receberam placebo (P = 0,059).

O estudo, conhecido como Adaptive COVID-19 Treatment Trial (ACTT), é o primeiro ensaio clínico lançado nos Estados Unidos para avaliar um tratamento experimental para a Covid-19. Este ensaio clínico está sendo realizado em 68 centros – 47 nos Estados Unidos e 21 em países europeus e asiáticos.

Os dados estão sendo divulgados após uma revisão interina pelo conselho independente de segurança dos dados ter identificado benefício significativo com este medicamento, disse o Dr. Fauci.

“A razão pela qual estamos fazendo este anúncio agora é algo que as pessoas não compreendem inteiramente: sempre que você tem evidências inequívocas de que um medicamento funciona, você tem a obrigação ética de informar as pessoas no grupo do placebo, de modo que elas possam ter acesso ao medicamento”, explicou o médico.

“Quando eu estava examinando os dados com nossa equipe na outra noite, foi como um flashback de 34 anos atrás, em 1986, quando estávamos lutando para descobrir medicamentos contra o HIV”, disse o Dr. Fauci, que foi uma figura proeminente na pesquisa do HIV/Aids.

“Fizemos o primeiro estudo randomizado, controlado por placebo com a zidovudina (AZT). Aconteceu de ter um efeito discreto, mas não foi o fim do jogo, porque, trabalhando nisso ano após ano conseguimos ir aprimorando o tratamento.”

 

Da mesma forma, novos ensaios clínicos de medicamentos para Covid-19 irão se basear no rendesivir, com outras substâncias sendo acrescentadas para bloquear outras vias ou enzimas virais, disse o Dr. Fauci.

O estudo será submetido a um periódico para a revisão por pares, indicou o médico, mas o New York Times publicou que a Food and Drug Administration (FDA) norte-americana aprovou a utilização do rendesivir em caráter de urgência no final do dia 29 de abril.

Ensaio clínico chinês inconclusivo

Contrariamente aos resultados positivos descritos pelo Dr. Fauci provenientes do ensaio clínico financiado pelo NIAID, um ensaio clínico randomizado, controlado com placebo, feito com o rendesivir entre os pacientes hospitalizados com quadro grave de Covid-19 na China foi inconclusivo.

O estudo, publicado on-line no periódico Lancet em 29 de abril, mostrou algumas tendências não significativas de benefício, porém não atingiu o desfecho primário.

O estudo foi suspenso prematuramente após 237 dos 453 pacientes previstos terem sido recrutados, por falta de pacientes que correspondessem aos critérios de elegibilidade. Por conseguinte, o ensaio clínico não teve poder estatístico suficiente.

Os resultados mostraram que o tratamento com rendesivir não acelerou a recuperação nem reduziu as mortes por Covid-19 significativamente, mas os desfechos secundários pré-especificados, como o tempo até a melhora clínica e a duração da ventilação mecânica, foram menores entre um subgrupo de pacientes que iniciou o tratamento com rendesivir nos 10 primeiros dias dos sintomas, em comparação com os pacientes que receberam o tratamento habitual.

“Para mim, os estudos publicados no Lancet parecem ser menos promissores do que algumas declarações feitas hoje pelo NIH, então a situação me deixa um pouco intrigado”, comentou Dr. Peter Hotez, Ph.D., médico e diretor da National School of Tropical Medicine no Baylor College of Medicine, nos EUA, que não participou do estudo. “Eu precisaria examinar mais atentamente os dados que o NIH está vendo para entender as diferenças.”

Detalhes do ensaio clínico

O ensaio clínico publicado foi realizado em 10 hospitais em Hubei, na China. Os critérios de inclusão foram: internação hospitalar com confirmação laboratorial de infecção por SARS-CoV-2 (sigla do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2) nos 12 primeiros dias após o início dos sintomas, saturação de oxigênio ≤ 94% e pneumonia confirmada por exame de imagem.

Os pacientes foram designados aleatoriamente em proporção 2:1 para receber rendesivir uma vez ao dia por via intravenosa (200 mg no 1º dia, a seguir 100 mg do 2º ao 10º dia) ou placebo durante 10 dias. O estudo autorizou o uso concomitante de lopinavir-ritonavir, interferons e corticoides.

O desfecho primário foi o tempo até a melhora clínica no 28º dia, definido como o tempo (em dias) entre a randomização e a queda de dois níveis do quadro clínico em uma escala ordinal de seis pontos (nesta escala 1 indicava que o paciente recebeu alta hospitalar e 6 indicava óbito) ou até o paciente receber alta hospitalar, o que ocorresse primeiro.

O ensaio clínico foi interrompido prematuramente, porque as rigorosas medidas de saúde pública implementadas em Wuhan levaram a uma redução acentuada dos novos casos e pela falta de leitos hospitalares disponíveis ter resultado na maioria dos pacientes ser recrutada mais tardiamente no curso da doença.

Entre 06 de fevereiro e 12 de março, 237 pacientes foram recrutados e aleatoriamente designados para receber rendesivir (N = 158) ou placebo (N = 79).

Os resultados mostraram que o uso do rendesivir não foi associado a diferença no tempo até a melhora clínica (razão de risco ou hazard ratio, HR, = 1,23; intervalo de confiança, IC, de 95% de 0,87 a 1,75).

Apesar de não ter tido significado estatístico, o tempo até a melhora clínica foi numericamente mais rápido entre os pacientes que receberam rendesivir do que entre os que receberam placebo para aqueles cujos sinais e sintomas duraram 10 dias ou menos (mediana de 18 dias versus 23 dias; HR = 1,52; IC 95% de 0,95 a 2,43).

O número de mortes foi semelhante nos dois grupos (14% dos pacientes que receberam rendesivir morreram versus 13% dos que receberam placebo). Não houve nenhum sinal de que a carga viral tenha diminuído diferencialmente ao longo do tempo entre os dois grupos.

Foram notificados eventos adversos em 66% dos participantes que receberam rendesivir vs. 64% dos que receberam placebo. O rendesivir foi suspenso prematuramente pela ocorrência de eventos adversos em 12% dos pacientes; 5% dos que receberam placebo tiveram a administração suspensa prematuramente.

Os autores, liderados pelo Dr. Yeming Wang, médico do Hospital da Amizade Sino-Nipônica em Pequim, na China, indicaram que, em comparação com um estudo anterior sobre o uso compassivo do rendesivir, a população do estudo em tela estava menos doente e foi tratada mais cedo no curso da doença (mediana de 10 dias vs. 12 dias).

Como o estudo foi encerrado precocemente, os pesquisadores disseram que não puderam avaliar adequadamente se o tratamento precoce com rendesivir poderia ter trazido benefício clínico.

“Contudo, entre os pacientes tratados nos 10 primeiros dias após o início dos sintomas, o rendesivir não foi um fator significativo, mas foi associado a uma redução numérica de cinco dias na mediana do tempo até a melhora clínica”, afirmaram os autores.

Os pesquisadores acrescentaram que o rendesivir foi adequadamente tolerado e que não foram identificados novos problemas de segurança.

No comentário que acompanha o estudo no periódico Lancet, o Dr. John David Norrie, médico da unidade de ensaios clínicos de Edimburgo, no Reino Unido, ressaltou que “este estudo não demonstrou achado estatisticamente significativo que confirme o benefício do tratamento com o rendesivir com diferença clínica pelo menos minimamente importante, nem descartou tal benefício”.

O Dr. John é cauteloso sobre o fato de a análise de subgrupo ter sugerido possível benefício para os pacientes tratados nos 10 primeiros dias.

Embora o comentarista diga que parece ser biologicamente plausível o fato de tratar pacientes mais cedo poder ser mais eficaz, acrescenta que, “além de se manter vigilante contra o excesso de interpretação, é preciso garantir que as hipóteses geradas baseadas nos ensaios de eficácia, mesmo em subgrupos, sejam confirmadas ou refutadas em ensaios clínicos ulteriores com poder estatístico adequado ou metanálises”.

Indicando que há vários outros ensaios clínicos com o rendesivir em andamento, Dr. John concluiu: “Com cada estudo tendo maior risco de ser incompleto, o agrupamento de dados de diversos estudos possivelmente sem poder estatístico suficiente, porém de alta qualidade, parece ser nossa melhor maneira de obter informações robustas sobre o que funciona com segurança para quem.”

Fonte: portugues.medscape.com/verartigo/6504801#vp_1

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