Perda de glândulas lacrimais associada a falta de controle do diabetes

A perda de glândulas meibomianas, que contribui para a produção de lágrimas, parece estar associada a altas taxas de olho seco em indivíduos com diabetes, e pode servir como um biomarcador de glicemia não controlada, segundo novas pesquisas. A Dra. Gloria Wu, médica oftalmologista da University of California, San Francisco, nos Estados Unidos, apresentou os resultados de um pequeno estudo usando imagens de infravermelho das pálpebras de 120 pacientes com olho  seco  durante  uma

coletiva de imprensa on-line realizada no dia 30 de março, originalmente agendada para a reunião anual de 2020 da Endocrine Society .

As glândulas meibomianas são as estrias verticais que revestem as margens das pálpebras inferiores. Elas produzem o lipídeo que combina com o fluido aquoso da glândula lacrimal para criar o filme lacrimal. A ausência de glândulas meibomianas pode causar olho seco, dor nos olhos, desconforto e visão turva.

O olho seco afeta cerca de 7% da população dos EUA, em comparação com 57% das pessoas com diabetes tipo 1 e 70% das com diabetes tipo 2. Dois mecanismos propostos para esse fenômeno no diabetes são a micro-isquemia e a inflamação, disse a Dra. Gloria.

Em seu estudo, a perda de glândulas meibomianas foi muito mais comum entre os 60 participantes com olho seco e diabetes do que entre os 60 participantes com olho seco sem diabetes, e a quantidade de perda de glândula foi diretamente associada ao nível de A1c.

Os resultados sugerem que a perda de glândulas meibomianas pode servir como biomarcador do diabetes, particularmente em áreas carentes, onde os testes de A1c podem não estar disponíveis.

A Dra. Gloria explicou que muitos smartphones mais novos têm câmeras infravermelhas que podem ajudar a identificar o olho seco em pacientes com diabetes.

"No futuro, esperamos que os pacientes possam usá-los, para dobrar as próprias pálpebras e tirar uma foto. Esperamos que nas clínicas em áreas rurais e nos serviços de saúde comunitários possamos usar este dispositivo que as pessoas têm... Quando pessoas com diabetes se queixarem de olho seco, poderemos fazer um monitoramento mais de perto do diabetes", disse a Dra. Gloria.

Solicitado a comentar sobre o estudo, o endocrinologista Dr. David C. Lieb disse ao Medscape: "É importante que os profissionais que atendem pessoas com diabetes saibam que essa doença está associada a uma alta incidência de disfunção da glândula meibomiana, o que leva ao olho seco. Essa é mais uma razão para as pessoas com diabetes irem o oftalmologista regularmente."

"Quando pergunto aos pacientes se eles foram ao oftalmologista, posso acrescentar o olho seco à minha lista de perguntas, em vez de apenas perguntar quando foi a última consulta", acrescentou o Dr. David, professor associado de medicina da Eastern Virginia Medical School, nos EUA.

"Posso perguntar se eles têm sintomas de olho seco e, se tiverem, é algo que eles precisam conversar com o oftalmologista."

Desaparecimento da glândula meibomiana correlacionado com controle glicêmico

Dra. Gloria e colaboradores revisaram retrospectivamente prontuários eletrônicos de 120 pacientes com diagnóstico de olho seco, incluindo 60 pacientes com diabetes tipo 2 e 60 pacientes sem a doença.

A média de idade dos pacientes com diabetes era de 65 anos, divididos igualmente entre homens e mulheres. Os controles eram mais jovens, com média de idade de 54 anos; 37 homens e 23 mulheres.

Os pesquisadores fizeram imagens de infravermelho (820 nm) da pálpebra; a perda percentual de glândulas meibomianas foi calculada para cada olho e depois foi realizada uma média por paciente.

Eles descobriram que 51,5% dos pacientes no grupo com diabetes tinham perda de glândulas meibomianas, em comparação com apenas 11,3% dos controles, uma diferença bastante significativa (P = 0,0001).

Quando a A1c também foi avaliada, apenas 4 de 60 participantes com A1c ≤ 5,9% tinham perdido ≥ 25% das glândulas, em comparação com 55 de 60 participantes com A1c ≥ 6,0%.

E, especificamente entre aqueles com diabetes, 35 de 37 com A1c > 6,6% tinham perdido > 40% das glândulas, em comparação com apenas 12 dos 23 participantes com A1c < 6,5% (todos P < 0,0001).

"Em pacientes com olho seco e diabetes, a perda de glândulas meibomianas foi associada a níveis elevados de A1c... e pode indicar a necessidade de... monitoramento mais intensivo do paciente", afirmaram os pesquisadores.

Questionada sobre se as glândulas poderiam voltar a crescer com um controle glicêmico aprimorado, a Dra. Gloria disse que não fez esta análise em pessoas com diabetes, mas em alguns pacientes que receberam tratamento intensivo para olho seco com colírios ou ciclosporina, as glândulas voltaram a crescer após aproximadamente seis meses.

O Dr. David disse que achou a ideia de diagnóstico por smartphone "fascinante, especialmente em locais onde você talvez não consiga medir facilmente a A1c. A maioria das pessoas tem acesso a exames de A1c, mas nem todos podem ir ao consultório".

E, acrescentou, "qualquer coisa que não seja invasiva tem algum benefício potencial".

Dra. Gloria Wu e Dr. David C. Lieb informaram não ter conflitos de interesses relevantes.

ENDO 2020. Abstract MON-704. Apresentado em 30 de março de 2020.

Fonte:  portugues.medscape.com/verartigo/6504712

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